domingo, 13 de maio de 2012

CHEGADA/ARRIVAL


Você já imaginou a sua chegada no seu país de destino?
Como você acha que será?





Existem histórias e histórias sobre isso.

O normal  é o futuro intercambiário imaginar que toda a ansiosa família hospedeira estará esperando por ele no aeroporto, e que ele será recebido com abraços e beijos. E que esses novos ETs serão prestativos e farão perguntas gentis para que se sinta “em casa e a vontade”... que eles te receberão e exibirão você como um troféu pela cidade, aos amigos e parentes e que talvez você vire uma estrela.
Então, vamos voltar pra realidade: você não está chegando no Brasil, você está chegando no país do seu intercâmbio e não convém fazer planos pra sua chegada lá. Simplesmente deixe acontecer e, seja o que Deus quiser.


Vamos imaginar a seguinte situação: você deixou o Brasil, entrou no avião, chorou feito um bocó, ficou com olhos vermelhos e rosto inchado. O avião é algo totalmente desconfortável e não sei por que ainda este tipo de transporte não é feito por nave espacial: teria janelinha pra todo mundo e muito mais espaço.
Então, você viajou horas e horas, passou uns lencinhos umedecidos numas partes se o voo foi longo, está com bafo, descabelado, cansado e meio que não acreditando que você inventou tudo aquilo pra você. Neste momento, você já se odeia: aonde eu estava com a cabeça quando decidi fazer intercâmbio... alguém pode me responder? Bem que minha mãe sempre me disse que eu tinha umas ideias de jerico.


Não convém alimentar expectativas porque:
- a tua família hospedeira pode ter imprevistos, ou compromissos inadiáveis para o dia de sua chegada e pedir para um amigo de confiança da família ir buscá-lo no aeroporto;
- pode ir somente sua coordenadora ou um serviço de transfer contratado;
- pode ser só o seu irmão mais velho, o de lá.
- assim como pode estar presente a escola toda lá no aeroporto te esperando porque eles acham que você pode salvar o time;


Já escutei estudantes contarem as seguintes histórias de chegadas:
História do Caio: Liguei pra minha família hospedeira avisando que ia chegar em tal voo e tal horário e o meu pai de lá disse que estaria me esperando. Quando desci do avião e peguei minhas malas, fiquei olhando a procura de quem seria o meu novo pai e o único ser que eu jamais supunha, um senhor idoso, com uma bengala, obeso ao estilo americano, sentado esbugalhado num banco do aeroporto... aquilo era o meu pai hospedeiro... que simplesmente se aproximou de mim e disse: você é o Caio? E quando ele se aproximou, eu ainda descobri o porquê da bengala. Mas depois que o assombro passou, eu descobri que ele era um cara genial.

História da Fábio: a minha família toda foi me receber no aeroporto e eles não eram ricos, mas eles alugaram uma limusine para me levar (junto com eles) do aeroporto até a fazenda. Minha família morava na zona rural. Minha família tinha 5 filhos, 2 da minha idade e 3 crianças. E no caminho pra casa, as 3 crianças sentaram do meu lado na limusine e falaram muito comigo, me fizeram perguntas que eu nem lembro, pois eu estava cansado demais pra pensar. Mas nunca me saiu da cabeça, o sorriso, o contentamento, a ansiedade daquelas crianças. E durante o meu intercâmbio, eles realmente viraram meus irmãos, tanto que a gente até se pegava nos tapas.

História do Diogo: Eu não tinha visto fotos da minha família e perguntei quem iria me buscar no aeroporto e minha mãe de lá disse que estaria no aeroporto. Então, eu perguntei: e como eu vou saber que é você. E ela me disse: eu estarei com um sino. Eu te conheço, eu vi fotos, então, a hora que eu te ver, eu vou bater o sino. Eu nem preciso dizer a vocês que isso realmente aconteceu e que eu só não saí correndo porque ali naquele lugar ninguém sabia quem eu era.

História da Juliana: Cheguei na Nova Zelândia e todo mundo sabe que eu sou atrapalhada. E veio um senhor falar comigo, com uma placa de coordenador de intercâmbio na mão, e me disse algumas coisas que eu não entendi.  Acompanhei-o até o carro, entrei no carro e ele falava muito e eu entendia nada. Mas alguma coisa estava muito errada. Chegou uma hora, que ele parou o carro e pediu os meus documentos... e então pude entender algo parecido com: ele tinha pego a estudante trocada e eu estava com um coordenador que não era o meu. E voltamos para o aeroporto para tentar achar as partes certas. Mas se vocês soubessem o que isso rendeu. E quando nos achamos, olhamos todos pra cara um do outro, sentamos no chão e rimos, rimos de chorar! E assim começou o meu intercâmbio...

História do Leandro: Desembarquei e não tinha ninguém esperando por mim. E agora? Sento e choro? Decidi ligar pra minha mãe hospedeira e ela atendeu. Pensei... nossa ...ela ainda nem saiu de casa... mas ela me disse que já já chegava. Esperei duas horas e alguém com cara de louca chegou. Ela parecia gente boa. E falava. Nossa,  como falava. Eu não entendi muito bem, mas parecia que ela tinha dito, que estava a caminho do aeroporto, quando na estrada, atropelou uma coruja. Ela parou o carro e ficou péssima pois a coruja morreu no trágico acidente. Então, ela decidiu voltar pra casa, e levar a coruja com ela. Quando chegou em casa, ela não sabia aonde guardar a coruja. Pensou, procurou e por fim, decidiu por a coruja na geladeira. Por isso ela se atrasou. Eu fiquei pensando: eu devo estar com meu inglês bem ruinzinho e entendi tudo errado. Mas, pasmem: era verdade e a coruja esteve na geladeira até o meu último dia do intercâmbio. E todos os dias, a minha mãe abria a porta da geladeira e falava bom dia e boa noite pra coruja. Isso que eu chamo de complexo de culpa.

História da Claudinha: minha mãe foi me buscar de pijama no aeroporto. Ela disse que meu avião chegou muito cedo, em pleno domingo e que ela ia voltar a dormir.

História da Anne: desci do avião, no meio do Tenessee e um sujeito todo tatuado, mordendo um capim estava a minha espera. Eu morria de vergonha de atravessar o aeroporto com este ser do meu lado: eu, loira e linda, com um ogro desses. Ele era meu pai hospedeiro. Quando eu achei que já tinha passado o suficiente, eis que ele abre a porta de um caminhão para eu entrar. Era muita mudança na minha vida numa cacetada só. Que louca que eu fui: devia ter ficado no Brasil. Pois digo a vocês que os melhores momentos da minha vida, eu passei com minha família hospedeira passeando e curtindo a vida numa boleia de caminhão. E morro de saudade disso.

História da Karina: desembarquei e estava morrendo de vergonha da minha família, eu não sabia se podia abraçar, dar um beijo, ou se era só um aperto de mão, ou só um tchauzinho de longe... não sabia o que fazer.  Minha mãe de lá percebeu e me abraçou e me entregou flores. Ela disse que se informou com uma amiga que já tinha hospedado brasileiros e disse que era assim que costumávamos fazer.

História da Eva: meu irmão hospedeiro é quem foi me buscar no aeroporto. E ele levou o cachorro também. Ele olhou pra mim e disse que eu era melhorzinha nas fotos. E eu entrei no carro e o carro era nojento. Tinha de tudo: resto de comida, pelos, embalagens de preservativos, papéis, CDs, mas numa ordem extrema que não dava pra perceber a cor dos bancos. E meu irmão conversava com o cachorro e não comigo. Mas explicou que a ideia de ter intercambiário não era dele. Era do resto da família e que ele só estava cumprindo a obrigação do dia.

História do Felipe: no meu primeiro dia, logo na minha chegada, minha família me pegou no aeroporto e me levou direto para um cinema. Eles ficaram felizes por eu estar usando roupas e não estar nu e me levaram pro cinema porque acharam que no Brasil isso não existia. Então, meu amigo, você imagina, alguém triturado da viagem, ir pro cinema, sem legenda, e assistir filme. Hoje, contando, é engraçado, mas naquele dia, naquela hora, eu tinha vontade de bater neles.

História do Ruan: eu tinha caído na família hospedeira que pedi a Deus: numa fazenda, com uma família numerosa. E tinha combinado que eles estariam no aeroporto. Quando desembarquei, fiquei desapontado, pois só tinha minha coordenadora, e não foi isso que eu combinei. Já pensei: começou tudo errado. A coordenadora me explicou que naquela noite, meu pai hospedeiro teve um AVC e estava no hospital e naquele momento a família não poderia me hospedar. Eu fiquei triste. Minha vontade era voltar pra dentro do aeroporto, tomar o primeiro avião de volta pro Brasil. A coordenadora disse que me colocaria na casa de amigos de confiança dela, que eles tinham um filho da minha idade e que tudo isso seria provisório, até que ela tivesse uma outra família pra mim. Fui pra esta nova família. No começo tive bastante problemas com meu irmão. Mas depois, esta família virou a família, cara! Então, a minha coordenadora me procurou, dizendo que o meu “ex-pai” que tinha tido o AVC tinha melhorado, que a vida da família tinha voltado ao normal, e que eles queriam me hospedar. Aquilo foi um choque para mim. Eu gostava deles, mas agora queria ficar nesta outra família. Então, pedi a coordenadora pra visitá-los e conversar com eles e explicar a eles como eu me sentia, mas eu queria eu fazer isso. E durante o meu intercâmbio,  tive as duas famílias mais maravilhosas que alguém poderia ter, pois eu não conseguia ficar longe de nenhuma das duas famílias. E pra quem desembarcou sem nenhuma família, eu tenho hoje, muita saudade, muita mesmo, das minhas duas famílias do intercâmbio.

História da Carolina: eu cheguei muito cedo no intercâmbio e minha família saía pra trabalhar e eu ficava em casa sozinha. A agência do Brasil tinha dito que eu não deveria embarcar tão cedo, a não ser que eu e a família tivéssemos planos para ocupar o tempo. Mas eu não segui os conselhos. Nesse tempo que eu ficava em casa, eu não tinha o que fazer: a família tinha dois cães imensos e eu tinha medo deles, então eu ficava trancada no quarto com medo dos cães. E ficava ligando pro Brasil. Isso foi a pior coisa que eu poderia ter feito: eu gastei horrores de telefone e ao fazer uma ligação errada, acabei por chamar a polícia pra dentro de casa sem querer, lógico.

História do Daniel: Minha mãe e minha irmã foram me buscar no aeroporto. No caminho pra casa, elas colocaram umas músicas no rádio do carro, e cantavam alto e eu junto. Eu decidi “entrar na dança” e imitava e fazia tudo igual. Só quando aprendi a língua é que descobri que aquilo era música gospel e eu nunca fui chegado nesse tipo de música.


Enfim, histórias não faltam. O  importante é não alimentar expectativas pra chegada e tentar passar a melhor impressão de você, seja lá como for a sua chegada e seja lá quem for que estiver a sua espera. Seja você mesmo sempre e seja o melhor que puder ser sempre.
Falô!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelos seus comentários e considerações. Entraremos em contato em breve.