domingo, 8 de julho de 2012

CHOQUE CULTURAL - UM SUSTO QUE DEMORA PRA PASSAR





Vamos falar sobre o conceito “científico” de choque cultural.

Pois bem!


Choque cultural é o esforço de adaptação de um estrangeiro em terra estranha. É como um susto, só que duradouro, até que tudo aquilo se torne familiar.


O choque cultural é um sintoma normal e inevitável para qualquer intercambiário que esteja se ajustando a uma nova língua e a uma nova cultura. Estudantes passam por essa experiência com graus e períodos diferentes.. Você não pode evitar o choque cultural, mas pode reduzir o impacto. Quanto mais você entender a sua cultura, mais tolerante e flexível você será ao se ajustar a uma cultura diferente.



Acredito que toda cultura tenho aspectos positivos e negativos. Encorajo você a estudar e a estar ciente das diferenças entre seu país e o país onde você vai morar nos próximos tempos. Tente entender as diferenças antes de julgá-las.


Muitos estudantes sofrem com o choque cultural logo que chegam no país hospedeiro.



O primeiro sinal de que você está passando pelo choque cultural é se você se pegar se fazendo a seguinte pergunta:
O QUE É QUE EU VIM FAZER AQUI? E a tendência é que esse “papo-cabeça” entre você e você continue.... O QUE É QUE EU TINHA NA CABEÇA QUANDO INVENTEI DE FAZER ESSE TAL DE INTERCÂMBIO? Meu Deus do céu, isso não pode ser verdade, isso não pode estar acontecendo comigo...Minha vida estava tão ajeitadinha, era tudo tão normal...

O segundo sinal é quando você começa a pensar em quanto tempo ainda falta pra vir embora, de volta pra casa.

Lembro-me de um menino que aqui vou chamá-lo de Luís. Quando chegou a informação da família hospedeira dele, ele me ligou. A família hospedeira era: pai, mãe, filhos crescidos que não moravam mais com o casal. Os animais de estimação eram lobos, 3 lindos lobos. A família morava numa fazenda e o pai era motorista de caminhão. A família estava optando por receber dois estudantes: o Luís e um polonês, ou seja, era o que chamamos de double placement, ou dupla colocação.

O Luís me ligou curioso sobre sua colocação. Fez um monte de perguntas:

- se ele tinha que aceitar essa colocação ou se ele poderia recusar: expliquei para o Luís que ele estava indo para um programa de high school público nos Estados Unidos, aonde as famílias são voluntárias para hospedar. Neste tipo de programa, não importa a condição/nível sócio-econômica-financeira-cultural-religiosa da família. Se a família tiver um interesse genuíno no programa, tiver bom caráter, atender às exigências do US Dept, se tiver condições de dar suporte e conselhos, se está disposta a seguir as regras do programa, é uma família habilitada pra hospedar. Não importa aonde esta família viva, esta família está apta a hospedar um estudante. Então, se este for um dos motivos pra recusar a família: condição social, lugar aonde mora, a resposta é não, você não pode recusar a família.

- a outra pergunta foi se esta família já tinha hospedado alguém e se ele poderia ter contato com esse alguém que a família hospedou? Então, eu disse a ele que todo mundo que tinha passado pela família, os lobos comeram. E que não sobrou ninguém pra contar. Mas que ele poderia ligar pra família e perguntar sobre isso. Ele me disse que ia mandar um email. Eu expliquei ao Luís que o brasileiro fica muito na internet, mas o americano, do interior americano, raramente entra na internet. Os americanos entram uma vez por semana nos emails pessoais, nas redes sociais, olham se tem algo e saem. Então, eu disse a ele, que se ele NÃO quisesse resolver o assunto, era só mandar um email. Resposta: Telefone pra sua família hospedeira, agradeça por estarem te recebendo, pergunte sobre eles, sem que isso se torne um questionário do senso.

- a outra coisa que ele me questionou foi se era uma boa ter um outro intercambiário na casa. Eu disse ao Luís que tem os dois lados. O lado positivo é que você já começa o programa com um amigo, pois é alguém na mesma situação que você. Dá pra aprender sobre duas culturas no mesmo intercâmbio. Vocês podem se tornar grandes amigos pela vida toda e sempre que você for pra Polônia terá um amigo pra visitar. O lado negativo é que a família poderá fazer comparações entre vocês dois, mas isso aconteceria se você tivesse irmãos e isso acontece entre você e seus irmãos também aqui no Brasil. Um outro porém é você se apegar demais só a ele e deixar de fazer outros amigos.

Luís embarcou e ao desembarcar lá, ligou pra mãe brasileira chorando e disse assim: “_ Mãe, eu descobri que eu amo você e meu pai. Deixa eu voltar embora? Eu trabalho pra recuperar todo o dinheiro que vocês gastaram comigo pra eu vir para o intercâmbio, eu prometo. Mas pelo amor de Deus, me deixa voltar.”

A mãe do Luís respondeu assim pra ele: “_ Eu não te obriguei a ir. Você quis ir. Então agora você vai ficar. Não quero mais ouvir falar de você pelos próximos 15 dias. Não me liga.” Gente, eu tenho um orgulho desta mulher que vocês não fazem idéia.

Estava claro e evidente que o Luís estava passando pelo choque cultural. Quando a mãe dele me ligou pra relatar o que houve, entramos em contato com as coordenadoras, que envolveram o Luís em atividades e o mantiveram ocupado até o início das aulas. As aulas iniciaram e o Luís teve um excelente desempenho escolar, a ponto de se tornar um brasileirinho sempre lembrado naquela escola do Oregon. Ele foi atrás de fazer coisas que sempre teve vontade de fazer, mas nunca teve oportunidade, tais como: participar de teatro, banda da escola, entrar pro beisebol, serviços voluntários e etc. Ele se tornou um grande admirador dos seus pais hospedeiros que além de manter a própria fazenda, o pai ainda tinha um emprego fora e trabalhava pra caramba. E apesar de reclamar que o polonês não tomava banho e fedia, os dois se tornaram grandes amigos. A mãe hospedeira abraçava o Luís pra que ele não sentisse tanta falta do carinho dos brasileiros e proporcionou tudo o que pode, na sua simplicidade, tanto para o Luís como para o Polonês. O Luís ajudava a mãe com os afazeres da fazenda antes de ir pra escola pois achava que era muita coisa pra ela cuidar sozinha. Conquistou muita gente durante o intercâmbio, melhorou como pessoa, melhorou seus relacionamentos. Não foi comido pelos lobos, pois segundo o Luís os lobos eram bonzinhos. Outra coisa é que o Luís era magrelo e não interessava aos lobos.
Mas e o choque cultural? Ah é mesmo! Ficou lá pra trás, em algum lugar do passado. Nem lembrava mais daquilo.



Também presenciei a seguinte situação:

- a menina tinha acabado de embarcar. A mãe da menina me procura chorando e disse que a filha ligou e disse: “_Mãe, preciso que você me deixe voltar. Se você não deixar, eu vou até a cozinha, pego uma daquelas facas e me mato. E você vai morrer de remorso para o resto da vida.”

- eu tentei explicar pra mãe, que a menina não ia fazer nada daquilo, era só uma forma de chamar a atenção.

- mas a mãe insistiu que avisássemos a organização internacional sobre isso e pedisse que enviassem alguém para o local, pois ela temia pela filha e a esta altura do campeonato, tinha medo do que ela poderia fazer.

- eu disse a ela que passar essa história adiante seria desastroso. Isto poderia por fim ao intercâmbio da menina.

- a história, conforme solicitado pela mãe, foi passada pro exterior. Tudo foi feito para que a menina se recuperasse do choque e voltasse a vida normal. No entanto, após passado o susto, a organização americana se posicionou da seguinte forma: ou os pais brasileiros solicitavam a volta da menina por bem ou eles estariam contratando profissionais habilitados para provar que a menina não tinha condições psicológicas para estar no programa e a mandariam de volta de qualquer forma. E que seria melhor pra todos que eles solicitassem o retorno e foi o que os pais fizeram.
E foi durante esses acontecimentos que descobri que a menina foi para o intercâmbio porque essa era a vontade dos pais e não a dela. Que ela só foi, em obediência aos pais.
Ou seja, foi pelos motivos errados.



Os estudantes podem ter muitas expectativas de como as coisas seriam e que são irreais. Os estudantes podem ir para um programa de intercâmbio pelas razões erradas, achando que as coisas seriam melhores em um novo lugar.


E fica aqui mais uma lição: NÃO BLEFE! JAMAIS! NÃO FALE AQUILO QUE NÃO TEM CERTEZA ABSOLUTA. NÃO ACHE. TENHA CERTEZA.

Uma coisa é certa: uma pessoa que, aqui no Brasil, no seu “ambiente natural” tem dificuldade em lidar com novos horários, novas idéias, pessoas desconhecidas ou maiores mudanças em sua terra natal, definitivamente vai ter problemas no intercâmbio.

O que você precisa entender e estar ciente é que: o choque cultural é só uma fase e fase é fase. E fase, fase passa!

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