sábado, 11 de julho de 2015

Fases do intercâmbio


Quem decide ir para um intercâmbio passa por várias fases:

FASE A 
EU PROCURANDO SARNA PRA ME COÇAR
- a escolha do programa à mais adiante vamos falar dos tipos de intercâmbios ou programas oferecidos e disponíveis no mercado. Mas esta é a primeira parte: decidir qual intercâmbio fazer, com qual agência, pra onde ir, quando, o objetivo que se deseja alcançar, o ajuste dos desejos ao que se pode pagar, o ajuste do que você deseja com o que desejam pra você e assim por diante.
- depois disso, vem toda uma parte burocrática, que é a parte de preenchimento dos papéis, entrevistas, testes, fotos... mas que são indispensáveis e extremamente importantes para todo o restante do seu intercâmbio. Muita coisa do que acontece com você, antes-durante-depois do seu intercâmbio é pura e simplesmente a consequência dos seus atos nesta fase. Ainda nesta fase vem a parte de passaporte, visto, transferência de escola (se for o caso).
- e tem toda uma parte de preparação à esta parte é essencial para uma experiência bem sucedida. Quanto mais expectativas realistas você tiver sobre o seu programa, menos “sofrerá” com o choque cultural. Nesta fase vale tudo. Vale:
1) conversar com quem já foi; 
2) ler livros e matérias sobre o assunto; 
3) assistir vídeos que relatem determinadas épocas/acontecimentos/costumes/hábitos do lugar para onde se está indo; 
4) participar das reuniões de orientação que a sua agência promover;
5) ler o meu blog (rsrs) ou ler blogs de quem já foi ou está no intercâmbio; 
6) buscar todo tipo de informação, para estar afinado com leis, costumes, hábitos, história, educação, cultura a respeito do seu destino. 
No entanto, precisa saber filtrar as informações que lhe forem passadas. Note que quem mais fala mal de intercâmbio e quem mais conta situações absurdas é exatamente quem tem pouca informação sobre intercâmbio ou quem nunca foi/fez.

É bem provável que tudo isso te remeta a uma outra fase do programa, que são umas famosas reações antes da partida, que a maioria dos futuros intercambiários tem.


FASE B 
E ENTÃO VOCÊ ESCUTA: "VOCÊ FICARIA BEM MAIS SIMPÁTICO SE FOSSE TRANCADO NUMA GAVETA" "ADORO QUANDO VOCÊ DORME"
A ansiedade vai tomando conta e você costuma ter algumas reações estranhas antes de embarcar. Você que está indo pro intercâmbio nem percebe, mas quem está ficando, esse sim, vai percebendo sua mudança. E este que está ficando vai se questionar se fez a coisa certa ao incentivar você a fazer tudo isso. É porque, meu amiguinho, nesta fase, você vira um porre.
Algumas reações comuns antes da partida, exemplos:
Exemplo 1: o adolescente, candidato ao programa de high school, nunca nem soube aonde era a feira aos domingos, mas do nada, um belo domingo de sol, decide acompanhar a mãe a feira e ajudá-la com as compras;
Exemplo 2: começar a perguntar para os outros irmãos o que eles vão fazer na sua ausência. Querido(a), não faça isso, pois você vai ouvir coisas assim: “_não vejo a hora que você embarque e deixa aquela sua bicicleta só pra eu usar” ou então “_o seu computador vai ficar pra mim, quando é mesmo que você embarca?” ou “_vou me mudar para o seu quarto que é mais espaçoso que o meu” ou “_vou colocar o meu celular para fazer contar regressiva, não vejo a hora que você se mande.”... depois, um dia, depois de uns 3 meses que você estiver fora, o seu (a sua) irmão (ã) vai lembrar disso e vai ficar com muito remorso... então, nem liga, ok? Deixa falar a vontade... e melhor ainda, não faz a pergunta besta.
Exemplo 3: ver mais fotos e passar mais tempo procurando por recordações...ao estilo "forever alone".
Exemplo 4: fazer chantagem com os pais, com namorado(a) ou pessoas queridas... algo como... “_é né, vocês não estão se importando porque eu vou estar fora tanto tempo, parece até que estão gostando” e acredite, se você estiver com 36,5 graus de temperatura, você vai cair de cama e vai achar que está morrendo, só pra chamar a atenção pra você. Amigo(a), febre é a partir de 37,8 graus, ok?
Exemplo 5: se afastar das pessoas que mais gosta pra ir se acostumando a ficar sem elas. Bobagem! Isto sim que é sofrer por antecipação e não leva a nadica.
Exemplo 6: impressionante o tanto de gente que aparece te dando bola nesta fase, só porque você vai embarcar... é muito fácil arrumar namorado ou namorada nesta fase. Mas por favor, não invente de querer nada sério, pro seu bem.

Enfim, sabe qual o meu melhor recado pra você? Aproveita que você está nesta fase e grude muito nas pessoas que você gosta e que vai sentir falta: beija, abraça, deita no colo, passeia junto, conversa, ri- mas ri muito, e embarque com essa lembrança boa, pra sentir saudade dessa lembrança boa. Combinado?


FASE C
PARTIDA E CHEGADA
O que muda para o estudante: o que ele deixa e o que ele encontra. Já falamos sobre este tópico em postagens anteriores. E vou tratar mais adiante do tal do medo dos aeroportos e etc. 

FASE D
O CHOQUE CULTURAL
Vamos falar sobre o tal do  choque cultural, a primeira semana, o primeiro mês, as datas e celebrações importantes longe da família e logo em seguida, vamos falar de HOMESICK, que ao “pé da letra” significa, doente de saudade de casa.
Te garanto: você vai saber o que significa SAUDADE.


Vamos falar sobre o conceito “científico” de choque cultural.
Pois bem! Choque cultural é o esforço de adaptação de um estrangeiro em terra estranha. É como um susto, só que duradouro, até que tudo aquilo se torne familiar.
O choque cultural é um sintoma normal e inevitável para qualquer intercambiário que esteja se ajustando a uma nova língua e a uma nova cultura. Estudantes passam por essa experiência com graus e períodos diferentes.. Você não pode evitar o choque cultural, mas pode reduzir o impacto. Quanto mais você entender a sua cultura, mais tolerante e flexível você será ao se ajustar a uma cultura diferente.
Acredito que toda cultura tenho aspectos positivos e negativos. Encorajo você a estudar e a estar ciente das diferenças entre seu país e o país onde você vai morar nos próximos tempos. Tente entender as diferenças antes de julgá-las.Muitos estudantes sofrem com o choque cultural logo que chegam no país hospedeiro.

O primeiro sinal de que você está passando pelo choque cultural é se você se pegar se fazendo a seguinte pergunta:

O QUE É QUE EU VIM FAZER AQUI? 
E a tendência é que esse “papo-cabeça” entre você e você continue.... 

O QUE É QUE EU TINHA NA CABEÇA QUANDO INVENTEI DE FAZER ESSE TAL DE INTERCÂMBIO? 
Meu Deus do céu, isso não pode ser verdade, isso não pode estar acontecendo comigo...Minha vida estava tão ajeitadinha, era tudo tão normal...


O segundo sinal é quando você começa a pensar em quanto tempo ainda falta pra vir embora, de volta pra casa.
Lembro-me de um menino que aqui vou chamá-lo de Luís. Quando chegou a informação da família hospedeira dele, ele me ligou. A família hospedeira era: pai, mãe, filhos crescidos que não moravam mais com o casal. Os animais de estimação eram lobos, 3 lindos lobos. A família morava numa fazenda e o pai era motorista de caminhão. A família estava optando por receber dois estudantes: o Luís e um polonês, ou seja, era o que chamamos de double placement, ou dupla colocação.


O Luís me ligou curioso sobre sua colocação. Fez um monte de perguntas:
- se ele tinha que aceitar essa colocação ou se ele poderia recusar: expliquei para o Luís que ele estava indo para um programa de high school público nos Estados Unidos, aonde as famílias são voluntárias para hospedar. Neste tipo de programa, não importa a condição/nível sócio-econômica-financeira-cultural-religiosa da família. Se a família tiver um interesse genuíno no programa, tiver caráter, atender às exigências do US Dept, se tiver condições de dar suporte e conselhos, se está disposta a seguir as regras do programa, é uma família habilitada pra hospedar. Não importa se a família está no norte, no sul, na cidade grande ou pequena, no centro ou na zona rural, esta família está apta a hospedar um estudante. Então, se este for um dos motivos pra recusar a família: condição social, lugar aonde mora, a resposta é não, você não pode recusar a família.

- a outra pergunta foi se esta família já tinha hospedado alguém e se ele poderia ter contato com esse alguém que a família hospedou? Então, eu disse a ele que todo mundo que tinha passado pela família, os lobos comeram. E que não sobrou ninguém pra contar. Mas que ele poderia ligar pra família e perguntar sobre isso. Ele me disse que ia mandar um email. Eu expliquei ao Luís que o brasileiro fica muito na internet, mas o americano, do interior americano, raramente entra na internet. Os americanos entram uma vez por semana nos emails pessoais, nas redes sociais, olham se tem algo e saem. Então, eu disse a ele, que se ele NÃO quisesse resolver o assunto, era só mandar um email. Resposta: Telefone pra sua família hospedeira, agradeça por estarem te recebendo, pergunte sobre eles, sem que isso se torne um questionário do senso.

- a outra coisa que ele me questionou foi se era uma boa ter um outro intercambiário na casa. Eu disse ao Luís que tem os dois lados. O lado positivo é que você já começa o programa com um amigo, pois é alguém na mesma situação que você. Dá pra aprender sobre duas culturas no mesmo intercâmbio. Vocês podem se tornar grandes amigos pela vida toda e sempre que você for pra Polônia terá um amigo pra visitar. O lado negativo é que a família poderá fazer comparações entre vocês dois, mas isso aconteceria se você tivesse irmãos e isso acontece entre você e seus irmãos também aqui no Brasil. Um outro porém é você se apegar demais só a ele e deixar de fazer outros amigos.

Luís embarcou e ao desembarcar lá, ligou pra mãe brasileira chorando e disse assim: “_ Mãe, eu descobri que eu amo você e meu pai. Deixa eu voltar embora? Eu trabalho pra recuperar todo o dinheiro que vocês gastaram comigo pra eu vir para o intercâmbio, eu prometo. Mas pelo amor de Deus, me deixa voltar.”

A mãe do Luís respondeu assim pra ele: “_ Eu não te obriguei a ir. Você quis ir. Então agora você vai ficar. Não quero mais ouvir falar de você pelos próximos 15 dias. Não me liga.” 

Gente, eu tenho um orgulho desta mulher que vocês não fazem idéia.

Estava claro e evidente que o Luís estava passando pelo choque cultural. Quando a mãe dele me ligou pra relatar o que houve, entramos em contato com as coordenadoras, que envolveram o Luís em atividades e o mantiveram ocupado até o início das aulas. As aulas iniciaram e o Luís teve um excelente desempenho escolar, a ponto de se tornar um brasileirinho sempre lembrado naquela escola do Oregon. Ele foi atrás de fazer coisas que sempre teve vontade de fazer, mas nunca teve oportunidade, tais como: participar de teatro, banda da escola, entrar pro beisebol, serviços voluntários e etc. Ele se tornou um grande admirador dos seus pais hospedeiros que além de manter a própria fazenda, o pai ainda tinha um emprego fora e trabalhava pra caramba. E apesar de reclamar que o polonês não tomava banho e fedia, os dois se tornaram grandes amigos. A mãe hospedeira abraçava o Luís pra que ele não sentisse tanta falta do carinho dos brasileiros e proporcionou tudo o que pode, na sua simplicidade, tanto para o Luís como para o Polonês. O Luís ajudava a mãe com os afazeres da fazenda antes de ir pra escola pois achava que era muita coisa pra ela cuidar sozinha. Conquistou muita gente durante o intercâmbio, melhorou como pessoa, melhorou seus relacionamentos. Não foi comido pelos lobos, pois segundo o Luís os lobos eram bonzinhos. Outra coisa é que o Luís era magrelo e não interessava aos lobos.
Mas e o choque cultural? Ah é mesmo! Ficou lá pra trás, em algum lugar do passado. Nem lembrava mais daquilo.

Também presenciei a seguinte situação:
- a menina tinha acabado de embarcar. A mãe da menina me procura chorando e disse que a filha ligou e disse: “_Mãe, preciso que você me deixe voltar. Se você não deixar, eu vou até a cozinha, pego uma daquelas facas e me mato. E você vai morrer de remorso para o resto da vida.”
- eu tentei explicar pra mãe, que a menina não ia fazer nada daquilo, era só uma forma de chamar a atenção.
- mas a mãe insistiu que avisássemos a organização internacional sobre isso e pedisse que enviassem alguém para o local, pois ela temia pela filha e a esta altura do campeonato, tinha medo do que ela poderia fazer.
- eu disse a ela que passar essa história adiante seria desastroso. Isto poderia por fim ao intercâmbio da menina.
- a história, conforme solicitado pela mãe, foi passada pro exterior. Tudo foi feito para que a menina se recuperasse do choque e voltasse a vida normal. No entanto, após passado o susto, a organização americana se posicionou da seguinte forma: ou os pais brasileiros solicitavam a volta da menina por bem ou eles estariam contratando profissionais habilitados para provar que a menina não tinha condições psicológicas para estar no programa e a mandariam de volta de qualquer forma. E que seria melhor pra todos que eles solicitassem o retorno e foi o que os pais fizeram.
E foi durante esses acontecimentos que descobri que a menina foi para o intercâmbio porque essa era a vontade dos pais e não a dela. Que ela só foi, em obediência aos pais.
Ou seja, foi pelos motivos errados.
E fica aqui mais uma lição: NÃO BLEFE! JAMAIS! NÃO FALE AQUILO QUE NÃO TEM CERTEZA ABSOLUTA. NÃO ACHE. TENHA CERTEZA.

Os estudantes podem ter muitas expectativas de como as coisas seriam e que são irreais. Os estudantes podem ir para um programa de intercâmbio pelas razões erradas, achando que as coisas seriam melhores em um novo lugar.
Uma coisa é certa: uma pessoa que, aqui no Brasil, no seu “ambiente natural” tem dificuldade em lidar com novos horários, novas idéias, pessoas desconhecidas ou maiores mudanças em sua terra natal, definitivamente vai ter problemas no intercâmbio.

O que você precisa entender e estar ciente é que:
- o choque cultural é só uma fase e fase é fase. 
- E fase... fase passa!



O CHOQUE CULTURAL E A INTELIGÊNCIA

Vamos voltar pra parte mais científica da coisa...
Durante seu intercâmbio, você terá alguns dias frustrantes e desanimadores. Você pode se sentir totalmente dominado (sem ação) entre os nativos, no começo, ou pode simplesmente ficar confuso com palavras ou frases específicas. Talvez você se sinta com vontade de voltar para casa porque sente saudade dos amigos e da família. Todos esses sentimentos e emoções são sintomas do “choque cultural”.
Você terá surpresas e assombros, mas precisa ter consciência de que ser diferente e estranho não significa que sejam esquisitos e errados.



“Eles não fazem a coisa certa aqui!” ..... isto não é nada legal de pensar...

Porque todos nós aprendemos desde pequenos sobre valores básicos e exemplos de comportamentos; então tendemos a assumir que a maioria de nossas crenças e comportamentos são “naturais” e são de padrão comum do universo.
Durante as primeiras semanas da sua estada, certamente você passará por um choque cultural e provavelmente ficará com saudade de casa. Isso já é esperado. Você terá opiniões negativas de muitas coisas, tudo que sonhou antes do seu embarque parece não ser nada interessante.

Para limitar ao máximo possível os efeitos da saudade, você deve se envolver em atividades (esportes, visitas, jogos, lições de casa, igreja, trabalhos voluntários, programas com os amigos, academia, ...). Isto manterá sua mente ocupada e você esquecerá que seus pais ou pessoas queridas estão longe ou que tudo está diferente no seu país hospedeiro.
É importante perceber que o que está acontecendo com você é comum para pessoas em novos ambientes. O mais importante é fazer algo para ajudar a aliviar essas emoções.


O que contribui para o choque cultural:



Comida:Os brasileiros que fazem intercâmbio na França, pelo que pude perceber, são os que mais estranham a comida, tanto pelo paladar, como pelo horário das refeições, como pelo aspecto dos alimentos preparados. Os brasileiros que vão para os Estados Unidos são os que mais engordam. Já vi intercambiário comentar que a família hospedeira, em 3 pessoas, conseguiu consumir um bolo doce de 1,5m X 1,5m em menos de meia hora.
E algumas considerações para quem está indo pra hospedagem em casa de família: a família não vai cozinhar pra você! Esqueça isso. Ninguém vai fazer teu prato predileto.A família não vai comprar frutas e verduras porque você colocou no seu application que você é natureba. Mas é importante que você saiba que: se na sua família tiver um diabético e toda a comida que se faz na casa, é pensando no diabético, saiba que é essa comida que você vai comer. É família, não é hotel e não tem um cardápio aonde você escolhe o que lhe convém. Nada impede também que de vez em quando, você faça umprato típico brasileiro para a sua família hospedeira.




A Língua:

Você pode se sentir frustrado com sua inabilidade para expressar idéias e sentimentos. Por ser forçado a se comunicar em um “nível simples”, você pode se sentir como uma criança. Como você provavelmente estará nervoso porque inglês, francês, holandês, alemão, etc... não é sua língua mãe, nas primeiras semanas você estará preocupado com a idéia de cometer um erro. Não tenha medo de cometer erros. Uma das partes divertidas do intercâmbio, é rir dos próprios erros. Não se preocupe, é normal e tente se expressar com calma. Um situação engraçada aconteceu com a estudante Carolina. Não sei se vocês sabem, mas dentes e tetas se pronunciam de forma muito parecida (teeth and tits). Todas as noites, após o jantar, a família hospedeira de Carolina sentava numa sala pra bater papo e jogar. Como Carolina usava aparelho nos dentes, ela pedia licença para escovar os dentes antes de participar do bate-papo. Após uns dois meses de programa, a irmãzinha do intercâmbio diz pra Carolina: Carolina, a pronúncia correta de dentes é ... e você tem escovado as tetas todas as noites. Outra situação foi com a menina Patrícia que não entendia muito bem porque o pai hospedeira falava tanto em pedras e só depois de um tempo, ela entendeu que na verdade, ele estava falando do evento Rock in Rio. Não era sobre pedra alguma. Outro caso ...outro mico na verdade... cereal matinal e órgão sexual feminino, em alemão, também tem pronúncias muito semelhantes. Então, você pode imaginar a situação quando a mãe hospedeira alemã perguntava ao intercambiário: “ o que você deseja comer no café da manhã? E ele achava que estava respondendo sucrilhos. As crianças fazem a diferença no seu intercâmbio. As crianças tem coragem de te corrigir, seja qual for a situação. A irmãzinha hospedeira do Ivan, etiquetou toda a casa antes da chegada do Ivan. Colocou etiqueta na geladeira, na maçaneta, no fogão, no micro-ondas, em tudo. E quando o Ivan falava errado, ela ensinava o Ivan a falar o certo e fazia o Ivan a soletrar. Mas ele disse que deve a irmâzinha hospedeira, a rapidez com que aprendeu o idioma.

Sua Vida Social: 
Uma das principais razões de estar fazendo intercâmbio é conhecer pessoas novas e diferentes. Faça amigos de todos os jeitos: os amigos da família, do curso, da igreja, do clube, da academia, do trabalho voluntário e etc. Tendo amigos, você terá sempre coisas pra fazer e isso te manterá ocupado. E isto faz toda a diferença.

Existem várias definições para a palavra inteligência. E uma das definições diz que inteligência é a capacidade de se adaptar adequadamente a novas situações.


FASE E
HOMESICK

Se você está indo para um intercâmbio de 1 a 3 meses, é bem provável que você nem conheça a tal da HOMESICK.
Pois quando você embarca para programas inferiores a três meses, ou short term, você encara como férias, por mais que aquele período exija de você.
No entanto, o termo HOMESICK é familiar para intercâmbios de longa duração, ou long term.

Alguns estudantes tem HOMESICK logo que chegam, outros depois de 2 meses de programa, outros estudantes tem perto de datas importantes, como Natal, por exemplo, outros estudantes tem depois de 7-8 meses de programa e outros na última semana de programa.

É raro encontrar um estudante que tenha ido para um intercâmbio de longa duração e que não tenha passado por homesick.

Homesick na versão mais simples significa DOENTE DE SAUDADE DE CASA.

A forma de homesick mais difícil de lidar, é aquela que vem junto com o choque cultural logo na chegada e nos primeiros dias de programa.

Este é o mais difícil, pois você já está lidando com o choque e lidar com a saudade e a falta das pessoas que você ama ao mesmo tempo vai exigir bastante determinação e vontade de ficar ali.

É o mais difícil de lidar também porque você ainda não conhece muita gente, lugares, ainda não conquistou a confiança das pessoas.

O primeiro mês é o mês de descoberta, novidades, excitação, ansiedade, insegurança, medo; é o mês de perder o sono, de chorar escondido com o travesseiro; é o mês de perguntar: “O que é que eu vim fazer aqui...?”. Mas pelo fato de estar junto com o choque, a receita pra lidar com o choque e com o homesick é a mesma e nós já abordamos isso nos capítulos anteriores. E aqui o que mais vale é FALAR SOBRE O QUE ESTÁ SENTINDO E PEDIR AJUDA.

O homesick mais “chatinho” vamos dizer assim, é aquele que acontece quando você está há mais ou menos dois meses no programa.

É quando você tem a impressão que já viu e já fez tudo o que tinha que fazer naquele lugar, que aquele lugar não tem mais nada a lhe acrescentar, quando você tem a sensação de que eles não fazem nada certo lá. E pronto: já que você chegou a essa conclusão é porque já está na hora de voltar pra casa. Pelo menos é isso que você vai concluir.

Uma coisa que funciona muito bem nesta fase, do homesick aos 2 meses de programa é você se escutar, isso mesmo. É você fazer uma autoanálise. Pega um papel e faz um paralelo.

Nesses dois meses de intercâmbio:
a) o que você fez, o que aconteceu, o que mudou, quantas pessoas você conheceu, a quantos lugares você foi, quantos medos seus você já enfrentou, enfim, o que você fez nesses dois meses.
b) por outro lado, se você estivesse aqui, na sua terra natal, nesses dois meses, o que você teria feito?

O segundo paralelo é o “daqui pra frente”...
a) o que ainda dá pra eu fazer, o que ainda esse intercâmbio tem a acrescentar na minha vida, quantas pessoas posso conhecer, que diferença isso vai fazer na minha vida, que diferença eu vou fazer na vida dessas pessoas e desse lugar se eu continuar aqui...
b) e o que eu faria de agora em diante, nos próximos meses se eu voltasse ao Brasil.

Normalmente, depois de fazer esse paralelo, você se convence de que, essa fase de homesick vai passar e você vai continuar no intercâmbio, que é só uma fase. E fase... ah fase passa, ah passa.



Nunca, em hipótese alguma, abra mão do seu intercâmbio por causa dessa coisa chamada saudade. Se o fizer, será a coisa que mais vai se arrepender.

Todos os estudantes que cederam e voltaram por causa de saudade, por causa de homesick, disseram a mesma coisa:

“_...em uma semana, de volta a minha casa, eu já estava curado da minha saudade e queria voltar pro meu intercâmbio e não podia mais. As pessoas, pelas quais eu voltei por causa de saudade, seguiram suas vidas e só eu fiquei com o arrependimento por ter voltado mais cedo, sem contar a frustração.”
Então, sabemos que saudade é uma coisa que você vai ter que lidar o intercâmbio todo, umas fases mais intensas e agudas e certas fases mais amenas. Então, esteja preparado para lidar com isso.

Aqui vamos entrar num assunto polêmico que é o contato muito frequente com família, amigos, namorada(o), e etc via celular, redes sociais e etc enquanto estiver num intercâmbio.

Se você fizer uso desta tecnologia a seu favor: pra MATAR a saudade e só, tudo bem. Pra você entrar de vez em quando, olhar todo mundo, postar suas fotos e compartilhar com todo mundo, matar saudades, ouvir e postar músicas, etc... e se fizer o uso consciente, não com tanta frequencia, isso é saudável e bom.

Mas se você fizer mau uso disso tudo (redes sociais, iphone, ipad, celulares e etc) para se torturar e achar que assim você está no controle da situação... isso é BURRICE. Se você foi para o intercâmbio para ficar nas redes sociais sondando o que estaria acontecendo com quem ficou, na boa, não precisava ter ido pro intercâmbio. Era bem mais barato se tivesse ficado no Brasil.

O importante é não perder o foco: você foi para o intercâmbio pra que mesmo? Lembre-se, durante o intercâmbio, de fazer amigo de carne e osso.

O maior problema disso tudo será gerenciar o acesso fácil que as pessoas que você deixou terão a você e quanto respeitarão suas decisões com relação ao uso de redes sociais e celular.

Exemplo: se, no intercâmbio, você estiver recebendo orientação do seu técnico de futebol, não vai gostar de receber um telefonema de seu amigo, contando do churrasco que está rolando aqui no Brasil. Você poderia ficar sabendo disso depois.

Então, é isso, preste atenção no que esta facilidade de acesso pode trazer de consequências ao seu intercâmbio.

O ideal mesmo é tentar se desligar ao máximo. Quanto mais contatado você for, quanto mais contato tiver, pior pra você que está no programa de intercâmbio. Pra quem não está no programa de intercâmbio não faz diferença nenhuma. Mas pra você que está faz muita diferença.

Após os dois primeiros meses, você começa a perceber que entende melhor aquele povo, que na escola as coisas melhoraram, que já conquistou a amizade de pessoas e consegue fazer amigos, que já consegue se comunicar melhor e aí você vai achar mais fácil, vai se sentir mais forte para enfrentar os outros meses. O começo pode ser o momento mais difícil e, nos outros meses, depois de ter atravessado esta fase mais difícil, você vai aproveitar tudo que conquistou. Mas é importante lembrar que você terá dias monótonos e datas que você vai lembrar e que poderão te deixar triste, como Natal, aniversários, etc. Lembre-se: DURANTE O INTERCÂMBIO, VOCÊ PASSARÁ POR FASES, E TODAS AS FASES SÃO PASSAGEIRAS.



Uma outra fase aonde a tal da HOMESICK ataca, é na época de Natal e em datas importantes.



No Natal, no Brasil, estamos no verão, férias escolares... enfim, é uma época em que aqui se junta tudo de bom.


Alguns dos países mais procurados para intercâmbio se situam no hemisfério norte, aonde no Natal, tem neve, e não é época de férias.


Então, quando o estudante, lá no intercâmbio, recebe uma ligação no celular, dos primos, todos na praia, no sol, de férias, naquela festa em família...certamente isso o afeta.., pois ele, intercambiário, está lá no intercâmbio, já de saco cheio da neve, aquela família lá reunida, em festa, não é exatamente aquela que ele intercambiário queria que estivesse ali com ele naquele momento. Ele não está de férias. E todo aquele clima natalino deixa o intercambiário mais sensível do que em qualquer época do ano.

O que eu costumo dizer para os intercambiários é: que outra oportunidade você terá de passar um natal como este e quantos outros natais ainda tem pela frente? Então, aproveita este tal qual está sendo pintado pra você. Curte e aprenda mais um pouco sobre a cultura do lugar.


No 7º. ou 8º. mês é aquela fase em que a maioria dos intercambiários, sem perceber, transforma a família hospedeira em hotel.

Nesta fase, o intercambiário está tão envolvido com amigos, esportes, escola, comunidade que quando aparece na família, apenas toma banho, janta, troca de roupa e dorme.


A família hospedeira, ressentida, passa a reclamar dessa atitude.

E o estudante de intercâmbio, não compreende e passa a comparar com a família brasileira.

Envolva sua família em tudo o que for fazer e participe da vida deles, independente de ter amigos e de ter muita coisa pra fazer. Isso é essencialmente importante.

O finalzinho do intercâmbio:
- para alguns estudantes - é algo parecido com dor de barriga. Sabe quando você está com muita dor de barriga e não vê a hora de achar um banheiro para se aliviar? Então, para alguns estudantes é assim... é chegada a hora, é hora de vir embora.
- para outros estudantes – é desesperador saber que o intercâmbio vai acabar. Começa o nervosismo do retorno... as coisas não serão as mesmas quando você voltar para casa no Brasil e você sabe que sentirá falta dos seus amigos do intercâmbio e família hospedeira.

Eu ia falar sobre o choque cultural ao contrário, ou seja, o voltar pra casa depois de um ano de intercâmbio. Mas vou deixar pra mais pra frente. No próximo post quero falar par a turma que deixa namorado(a) pra trás e um pouco mais sobre a frequência com que se contata essas pessoas e outras pessoas queridas. Como lidar com isso tudo.


 



2 comentários:

  1. Simplesmente obrigada por este belíssimo texto. Vai me ajudar muito!

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    1. Fico muito feliz em ter ajudado e se precisar de alguma coisa, é só falar. Boa sorte pra você.

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