segunda-feira, 11 de setembro de 2017

HOMESICK



Se você está indo para um intercâmbio de 1 a 3 meses, é bem provável que você nem conheça a tal da HOMESICK.
Pois quando você embarca para programas inferiores a três meses, ou short term, você encara como férias, por mais que aquele período exija de você.
No entanto, o termo HOMESICK é familiar para intercâmbios de longa duração, ou long term.

Alguns estudantes tem HOMESICK logo que chegam, outros depois de 2 meses de programa, outros estudantes tem perto de datas importantes, como Natal, por exemplo, outros estudantes tem depois de 7-8 meses de programa e outros na última semana de programa.
É raro encontrar um estudante que tenha ido para um intercâmbio de longa duração e que não tenha passado por homesick.
Homesick na versão mais simples significa DOENTE DE SAUDADE DE CASA.

A forma de homesick mais difícil de lidar, é aquela que vem junto com o choque cultural logo na chegada e nos primeiros dias de programa.
Este é o mais difícil, pois você já está lidando com o choque e lidar com a saudade e a falta das pessoas que você ama ao mesmo tempo vai exigir bastante determinação e vontade de ficar ali.
É o mais difícil de lidar também porque você ainda não conhece muita gente, lugares, ainda não conquistou a confiança das pessoas.
O primeiro mês é o mês de descoberta, novidades, excitação, ansiedade, insegurança, medo; é o mês de perder o sono, de chorar escondido com o travesseiro; é o mês de perguntar: “O que é que eu vim fazer aqui...?”. Mas pelo fato de estar junto com o choque, a receita pra lidar com o choque e com o homesick é a mesma e nós já abordamos isso nos capítulos anteriores. E aqui o que mais vale é FALAR SOBRE O QUE ESTÁ SENTINDO E PEDIR AJUDA.

O homesick mais “chatinho” vamos dizer assim, é aquele que acontece quando você está há mais ou menos dois meses no programa.
É quando você tem a impressão que já viu e já fez tudo o que tinha que fazer naquele lugar, que aquele lugar não tem mais nada a lhe acrescentar, quando você tem a sensação de que eles não fazem nada certo lá. E pronto: já que você chegou a essa conclusão é porque já está na hora de voltar pra casa. Pelo menos é isso que você vai concluir.
Uma coisa que funciona muito bem nesta fase, do homesick aos 2 meses de programa é você se escutar, isso mesmo. É você fazer uma autoanálise. Pega um papel e faz um paralelo:
1)      Nesses dois meses de intercâmbio:
a)      o que você fez, o que aconteceu, o que mudou, quantas pessoas você conheceu, a quantos lugares você foi, quantos medos seus você já enfrentou, enfim, o que você fez nesses dois meses.
b)      por outro lado, se você estivesse aqui, na sua terra natal, nesses dois meses, o que você teria feito?

2)      O segundo paralelo é o “daqui pra frente”...
a)      o que ainda dá pra eu fazer, o que ainda esse intercâmbio tem a acrescentar na minha vida, quantas pessoas posso conhecer, que diferença isso vai fazer na minha vida, que diferença eu vou fazer na vida dessas pessoas e desse lugar se eu continuar aqui...
b)      e o que eu faria de agora em diante, nos próximos meses se eu voltasse ao Brasil.
Normalmente, depois de fazer esse paralelo, você se convence de que, essa fase de homesick vai passar e você vai continuar no intercâmbio, que é só uma fase. E fase... ah fase passa, ah passa.

Nunca, em hipótese alguma, abra mão do seu intercâmbio por causa dessa coisa chamada saudade. Se  o fizer, será a coisa que mais vai se arrepender.
Todos os estudantes que cederam e voltaram por causa de saudade, por causa de homesick, disseram a mesma coisa:
 “_...em uma semana, de volta a minha casa, eu já estava curado da minha saudade e queria voltar pro meu intercâmbio e não podia mais. As pessoas, pelas quais eu voltei por causa de saudade, seguiram suas vidas e só eu fiquei com o arrependimento por ter voltado mais cedo, sem contar a frustração.”
Então, sabemos que saudade é uma coisa que você vai ter que lidar o intercâmbio todo, umas fases mais intensas e agudas e certas fases mais amenas. Então, esteja preparado para lidar com isso.

Aqui vamos entrar num assunto polêmico que é o contato muito frequente com família, amigos, namorada(o), e etc via celular, redes sociais e etc enquanto estiver num intercâmbio.
Se você fizer uso desta tecnologia a seu favor: pra MATAR a saudade e só, tudo bem. Pra você entrar de vez em quando, olhar todo mundo, postar suas fotos e compartilhar com todo mundo, matar saudades, ouvir e postar músicas, etc... e se fizer o uso consciente, não com tanta frequencia, isso é saudável e bom.
Mas se você fizer mau uso disso tudo (redes sociais, iphone, ipad, celulares e etc) para se torturar e achar que assim você está no controle da situação... isso é BURRICE. Se você foi para o intercâmbio para ficar nas redes sociais sondando o que estaria acontecendo com quem ficou, na boa, não precisava ter ido pro intercâmbio. Era bem mais barato se tivesse ficado no Brasil.
O importante é não perder o foco: você foi para o intercâmbio pra que mesmo? Lembre-se, durante o intercâmbio, de fazer amigo de carne e osso.
O maior problema disso tudo será gerenciar o acesso fácil que as pessoas que você deixou terão a você e quanto respeitarão suas decisões com relação ao uso de redes sociais e celular.
Exemplo: se, no intercâmbio, você estiver recebendo orientação do seu técnico de futebol, não vai gostar de receber um telefonema de seu amigo, contando do churrasco que está rolando aqui no Brasil. Você poderia ficar sabendo disso depois.
Então, é isso, preste atenção no que esta facilidade de acesso pode trazer de consequências ao seu intercâmbio.
O ideal mesmo é tentar se desligar ao máximo. Quanto mais contatado você for, quanto mais contato tiver, pior pra você que está no programa de intercâmbio. Pra quem não está no programa de intercâmbio não faz diferença nenhuma. Mas pra você que está faz muita diferença.

Após os dois  primeiros meses, você começa a perceber que entende melhor aquele povo, que na escola as coisas melhoraram, que já conquistou a amizade de pessoas e consegue fazer amigos, que já consegue se comunicar melhor e aí você vai achar mais fácil, vai se sentir mais forte para enfrentar os outros meses. O começo pode ser o momento mais difícil e, nos outros meses, depois de ter atravessado esta fase mais difícil, você vai aproveitar tudo que conquistou. Mas é importante lembrar que você terá dias monótonos e datas que você vai lembrar e que poderão te deixar triste, como Natal, aniversários, etc. Lembre-se: DURANTE O INTERCÂMBIO, VOCÊ PASSARÁ POR FASES, E TODAS AS FASES SÃO PASSAGEIRAS.


Uma outra fase aonde a tal da HOMESICK ataca, é na época de Natal e em datas importantes.
No Natal, no Brasil, estamos no verão, férias escolares... enfim, é uma época em que aqui se junta tudo de bom.
Alguns dos países mais procurados para intercâmbio se situam no hemisfério norte, aonde no Natal, tem neve, e não é época de férias.
Então, quando o estudante, lá no intercâmbio, recebe uma ligação no celular, dos primos, todos na praia, no sol, de férias, naquela festa em família...certamente isso o afeta.., pois ele, intercambiário, está lá no intercâmbio, já de saco cheio da neve, aquela família lá reunida, em festa, não é exatamente aquela que ele intercambiário queria que estivesse ali com ele naquele momento. Ele não está de férias. E todo aquele clima natalino deixa o intercambiário mais sensível do que em qualquer época do ano.
O que eu costumo dizer para os intercambiários é: que outra oportunidade você terá de passar um natal como este e quantos outros natais ainda tem pela frente? Então, aproveita este tal qual está sendo pintado pra você. Curte e aprenda mais um pouco sobre a cultura do lugar.

No 7º. ou 8º. mês é aquela fase em que a maioria dos intercambiários, sem perceber, transforma a família hospedeira em hotel.
Nesta fase, o intercambiário está tão envolvido com amigos, esportes, escola, comunidade que quando aparece na família, apenas toma banho, janta, troca de roupa e dorme.
A família hospedeira, ressentida, passa a reclamar dessa atitude.
E o estudante de intercâmbio, não compreende e passa a comparar com a família brasileira.
Envolva sua família em tudo o que for fazer e participe da vida deles, independente de ter amigos e de ter muita coisa pra fazer. Isso é essencialmente importante.

O finalzinho do intercâmbio:
- para alguns estudantes  - é algo parecido com dor de barriga. Sabe quando você está com muita dor de barriga e não vê a hora de achar um banheiro para se aliviar? Então, para alguns estudantes  é assim... é chegada a hora, é hora de vir embora.
- para outros estudantes – é desesperador saber que o intercâmbio vai acabar.   Começa o nervosismo do retorno... as  coisas não serão as mesmas quando você voltar para casa no Brasil e você sabe que sentirá falta dos seus amigos do intercâmbio e família hospedeira.

Eu ia falar sobre o choque cultural ao contrário, ou seja, o voltar pra casa depois de um ano de intercâmbio. Mas vou deixar pra mais pra frente. No próximo post quero falar par a turma que deixa namorado(a) pra trás e um pouco mais sobre a frequência com que se contata essas pessoas e outras pessoas queridas. Como lidar com isso tudo.

4 comentários:

  1. Show de bola seu post!!! Estou indo para o intercambio e seu post foi o que melhor me esclareceu e jogou a real sobre essa homesick do capeta kkkk abraços

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  2. Síndome do Retorno, por Gabriela Reis
    Boa tarde, pessoal do FYI!
    Meu nome é Gabriela e eu tenho 17 anos.
    Eu gosto demais desse blog!
    Eu fiz intercâmbio pra Inglaterra, fiquei 6 meses fora, e os textos do blog sempre me inspiraram e ajudaram MUITO, principalmente durante a época (curta) de Homesick. Gostaria de agradecê-los imensamente!
    Mas o assunto do e-mail é outro...
    Eu voltei pro Brasil, já tem 1 mes e 10 dias. Desde que eu cheguei, o retorno não tem sido fácil... A saudade aperta muito, principalmente porque eu me apeguei demais a minha host family e aos meus amigos. Mas parece que de uns dias pra cá, a ficha está realmente caindo. Acabou mesmo. Meu intercâmbio foi SENSACIONAL, eu não poderia pensar em um jeito de ter sido melhor. Aproveitei cada segundo.
    Mas essa volta é tão dolorosa, por que? ...
    Acostumar ao Brasil de novo, principalmente ao ritmo escolar é complicado. ... Dá vontade de voltar no tempo e não sair da Inglaterra!!!
    Muito obrigada pela atenção ...

    Parabéns pelo blog!

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  3. Olá! Resolvi fazer um intercambio de tres meses aqui no canada. Na verdade, hoje é meu décimo dia do intercambio, e saudade de casa aumenta cada vez mais, porem com o tempo consigo a controlar. Só tenho 15 anos, e esta é a primeira vez que fico longe da minha mae. Nao vou negar que tem sido muito dificil. As vezes, a tristeza bate. O pior de tudo isso é que ela vem do nada, o que me faz chorar no meio do shopping, na rua, no meu quarto, e ter que me controlar para nao comecar a chorar no meio da aula. Minha host family nao é a mais receptiva, porem serao so tres meses, entao nao vejo necessidade de mudar.
    Ja pensei varias vezes "por que eu quis fazer esse curso?" "por que nao estou na minha casa com minha familia agora?".
    Sem duvida, esse tem sido o periodo mais dificil de minha vida. O pior de tudo é que ao ligar para a minha mae, tenho que fingir que estou bem, por que assim nao a deixarei triste.
    A vontade de abandonar tudo e voltar é grande, eu confesso, mas eu tenho que ser forte nesse momento, por que se eu desistisse, eu seria tratado como uma perdedor.

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    1. Oi! Que programa é este que você está? é curso, em qual lugar? Seguinte, se for curso, deve ter muita gente que não é da sua idade, então aconselho você a se ocupar de alguma forma: entra pra um grupo na igreja, entra pra clubes na cidade, vai numa high school e pede pra visitar a escola, se pode. Passeia com o cachorro, tenta ao máximo se desligar daqui. Senão, daqui a pouco você vai ficar bem bravo com você por ter perdido tempo com esses sentimentos. Sugiro ler dois itens completos deste blog que são:http://www.fyi-gente.org/2016/07/as-fases-do-intercambio-choque-cultura.html e http://www.fyi-gente.org/2016/11/depois-do-intercambio.html
      E sobre sua família hospedeira, você precisa observar se não são receptivos somente com você ou se é somente o jeito deles serem, ok?
      Boa sorte pra você. Estarei torcendo. bjs

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