quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Por que as famílias hospedam? - continuação




Eu costumo dizer que:
-  todo estudante de intercâmbio tem uma missão a cumprir no intercâmbio;
- e que cada estudante tem a família hospedeira que merece.

Ficou chocado(a)? Eu explico...
Já vi intercambiários levarem de volta a paz a uma família hospedeira no relacionamento entre eles; já vi intercambiário aliviar a culpa de um membro da família; já vi estudante ajudar a família hospedeira em grandes projetos de vida; já vi de tudo:

Ricardo estava prestes a embarcar em Janeiro e ainda não tinha família hospedeira. Então, a família hospedeira chegou, e no profile da família dizia que Ricardo teria um irmão hospedeiro de outro país e que ia dividir o quarto com este irmão exchange student (espanhol).
Ricardo, assim que recebeu a informação de seu placement (informação da família hospedeira), ligou entusiasmado para a família hospedeira. No entanto, sua mãe de lá, ao atender, disse que não pretendia ficar com ele, que não estava nos planos ficar com dois intercambiários, que estava fazendo um favor pra coordenadora, pois as aulas estavam começando, o teatro na escola da região era muito bom, e a coordenadora queria muito que Ricardo fosse pra aquela escola, naquela região.

De fato, Ricardo adorava e era muito bom em teatro e a escola da cidade era espetacular, o grupo de teatro daquela escola era muito bom, e a coordenadora queria Ricardo naquela área.

Ricardo ficou frustrado, porque já ao telefone, tinha adorado a mãe de lá. Conversei com Ricardo e disse a ele: “ _Ricardo, embarca e deixa acontecer, não briga com o destino.” E descolado que só ele, lá se foi ele pra Boston.

Ricardo chegou na família e conquistou o coração da família, conquistou seu espaço. Destacou-se na escola por conta do teatro e do seu jeito: sempre de bem com a vida, sem preconceitos, espontâneo, de mente e coração abertos.
Eu tinha certeza que isso aconteceria e a família que era pra ser apenas uma família temporária, tornou-se sua família definitiva.

Ricardo achava o pai hospedeiro calado e triste, sempre muito “na dele”. E passou a convidar o pai hospedeiro para correr com ele nos finais de tarde. Isso os fez mais próximos, se tornaram amigos e o pai hospedeiro contou-lhe que...
- um dos seus filhos, não tinha nascido com as paralisias e problemas mentais, ficou daquela forma depois que ele (o pai natural) havia lhe administrado um medicamento, por ordem médica. O menino teve febre, foram ao médico, o médico receitou um remédio que provocou um efeito catastrófico no menino, com convulsões simultâneas, e a falta de oxigênio no cérebro levou às deformidades. E o pai, se sentia culpado, pois foi ele quem deu o remédio ao menino.
Ricardo levou um tempo, mas com sua alegria e o seu jeito, fez o pai entender que ele não era o culpado e que ele deveria se aproximar do seu filho e ver daí pra frente, viver daí pra frente. O resto era resto.
Por isso digo, todo intercambiário tem uma missão no intercâmbio. Cabe a você descobrir qual será a sua. Descubra e faça sua parte, o melhor que puder.




E  o que eu quero dizer com CADA ESTUDANTE TEM A FAMÍLIA QUE MERECE...Note, isso não é uma “praga” ...mas a família sempre invocará, sempre vai se aborrecer com seu ponto fraco...

Aonde eu quero chegar...

Carlos era um menino muito folgado: foi o último a entregar o application, fez de qualquer jeito, relaxado consigo e com suas coisas, preguiçoso, um estrupício.
A família dele era no Texas, em San Antonio. A escola estava numa área militar, então era uma escola militar. Tinha 2 irmãos menores. E a mãe hospedeira era só a sargenta do exército americano.
Carlos “pulou miudinho” mas ele me mandava fotos do quarto dele pra provar pra mim que não tinha neste mundo um quarto mais limpo e mais arrumado que o dele.
Ri muito quando ele escreveu pra mim assim: “_ Tia Nina, to até com medo de virar viado... tenho tomado banho todos os dias e até troco a cueca todos os dias. Você vai ficar orgulhosa de mim quando me ver de novo.”

 Amanhã vou falar de um menino que virou um construtor e vou falar pra você que vai embarcar e nem família tem: oh dó!


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