segunda-feira, 3 de julho de 2017

Tô desesperado(a)...não tenho família ainda

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Durante esses anos todos, vi acontecer algumas coisas que me chamaram muita a atenção e venho aqui defender a idéia de que:

- não importa se a informação da sua família hospedeira chegou faz um tempão, ou se acabou de chegar ou se ainda nem chegou... ou então se chegou e mudou. Isso não quer dizer muita coisa, ou melhor, não quer dizer nada.
Já vi estudantes que,  durante meses,  se comunicaram com a família antes de embarcar...e enquanto não conviviam juntos, tudo era lindo. Estavam "apaixonados"  família e estudante. Mas que a convivência não deu certo. Só se conhece o temperamento de uma pessoa convivendo com essa pessoa, não tem outro jeito.

- assim como, vejo que quando chega a informação da família hospedeira, as mães naturais tem o o hábito de perguntar se alguém já ficou naquela casa, se poderia conversar com a pessoa, etc. A experiência de uma pessoa numa casa não tem nada a ver com a experiência de outra pessoa na mesma casa, na mesma família: mudou o estudante, muda tudo. E o tempo passa pra todo mundo. Um estudante pode ter ido para uma casa que naquele momento vivia uma fase de vida muito boa, e um outro estudante pode ir para a mesma casa num momento já de dificuldade em família, com a família mais sensível, ou mesmo, com o passar dos anos, as pessoas envelhecem, amadurecem e mudam.

Não é nada fácil arrumar família hospedeira:
- dentro das exigências e regras do programa, do curso ou da escola;
- dependendo do tipo de programa escolhido, a família é voluntária sem ajuda de custo pela hospedagem;
- tem que considerar que a família tem seus receios, abrir a intimidade de uma família a um estrangeiro não é um exercício simples de se fazer;
Digo este último porque percebo que muita gente manda filhos para viver em outra família e em outro país, mas não tem a mesma coragem de receber um outro estrangeiro na mesma situação ou num programa de intercâmbio em sua própria casa.

Lembro-me da seguinte situação: a família de Pietro chegou e ele embarcou de imediato. Na escola estrangeira foi feito o teste da urina e foi encontrado os indícios da droga nos exames do Pietro. Depois de muito conversar com o diretor da escola, Pietro disse que na festa de despedida do Brasil havia usado drogas.
O diretor da escola chamou a família hospedeira e disse a mãe hospedeira: "_ se você decidir que vai ficar com este adolescente usuário de droga na sua casa,  aí eu deixo que ele permaneça na minha escola, desde que nos próximos testes, os níveis da droga tenham diminuído. Mas se você, decidir não colocar sua família em risco, e decidir que não poderá ficar com o menino por ser uma má influência para os seus outros 4 filhos, então, eu vou expulsá-lo da minha escola e ele deverá retornar ao Brasil."

Esta não é a única situação em que a família hospedeira fica com a parte difícil da decisão. Outro exemplo:  Melissa foi presa por furto. E somente as palavras do pai hospedeiro é que convenceram a corte a não cancelar o visto e deportá-la. A pena foi trocado por serviços voluntários a serem prestados pela adolescente até o término do programa.

Muitos estudantes conseguem a informação de sua família de véspera.
Felipe tinha uma informação de família. Na hora que eu fui para o aeroporto para embarcá-lo, chegou uma nova informação de família, cancelando a anterior. E enquanto ele voava para o destino, esta segunda família hospedeira foi cancelada e ele foi para uma terceira família hospedeira. A 3a. família hospedeira tinha a missão de buscá-lo no aeroporto e dar a notícia: tua família hospedeira não é mais o John, agora é Joshua.
E Felipe encarou numa boa. Nas últimas 24 horas, ele havia tido 3 famílias hospedeiras, mas apaixonado por voleibol que era, não poderia ter sido colocado numa situação melhor que aquela. Fez um intercâmbio feliz e bem sucedido. Aliás, ele é muito bem sucedido hoje em dia também.

Alan desejava muito ser colocado em fazenda, pois durante a vida toda, sempre viveu em fazenda. Era tímido, falava pra dentro, quando falava. Tinha hábitos um tanto broncos, devido tamanha simplicidade. A família hospedeira chegou e era um rancho no Texas, numa fazenda enorme que criava muitos animais.  Eu embarquei o Allan a noite e no outro dia pela manhã, tive a seguinte notícia:
_ que o Alan não seria mais colocado na família dos sonhos, pois o pai hospedeiro teve um AVC e toda a família estava no hospital. Que a família pretendia sim hospedar o Alan, mas que naquele momento e naquela situação seria impossível. A coordenadora dizia que ela tinha uma família de confiança em Columbus, e que eram amigos pessoais dela e que ela estaria colocando o Alan hospedado lá. E que ela seria a portadora de todas essas notícias assim que Alan desembarcasse.
Conhecendo Alan como eu conhecia, fiquei preocupada. O começo do intercâmbio do Alan foi um pouco tumultuado: ele passou os primeiros dias querendo que a família hospedeira do rancho se resolvesse e que ele fosse pra lá.
Mas a atual família hospedeira, que era composta de mãe, filho adolescente e o namorado da mãe eram extremamente atenciosos com Alan.
Eles não só hospedaram o Alan, mas deram suporte e carinho. Alan se envolveu com esta família e quando a família do rancho se recuperou e buscou pelo Alan, ele não quis mais sair da família de Columbus, da cidade grande.
Quando falei com a mãe natural do Alan, achando que ela estaria emputecida com esta situação, ela me disse: "_ Pê, não poderia ter acontecido coisa melhor pro meu filho: ele é outra pessoa e ela caiu na gargalhada e disse, agora ele é civilizado. Vive em cidade, perdeu a timidez, aprendeu a falar, tem uma outra postura. Eu agradeço a Deus e a você por tudo o que aconteceu ao meu filho. Se não fosse tudo isso, eu ainda teria aquele bananão. É o que eu sinto. O que aconteceu ao Alan, foi a melhor coisa que aconteceu na vida dele."
Daí alguns anos, Alan apareceu na minha frente e trazia consigo o irmão brasileiro adolescente: "_Pê, agora é a vez do meu irmãozinho... manda ele pra mesma família que eu permaneci?"
Foi muito gratificante, muito mesmo, ver os meninos e ver passarem por esta experiência.
E deixo claro que o Alan, se inscreveu para intercâmbio dois anos antes do embarque, isso mesmo. Quando ele se inscreveu, eu o recusei, porque ele tinha um boletim escolar e um nível de inglês pobres, ele esperou mais um ano pra embarcar e mesmo assim, teve família na noite do voo.

Deu pra entender a mensagem que eu quero passar a vocês?

Relaxem e confiem em quem você elegeu pra organizar o seu intercâmbio. Vá de mente e coração abertos pra onde quer que seja, para onde quer que vá.  É você que vai fazer a diferença! É você quem chegou. Todo o resto sempre esteve lá. E quem chegou é que muda! Muda uma vida, muda uma história, faz a lenda.




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