sábado, 23 de julho de 2016

E se der medo... vai com medo mesmo.



Para muita gente, esta data já virou página de livro de história.

Mas e quem vivenciou o 11/09?

Pois é, após o 11 de setembro, veio o antraz e a guerra do Afeganistão. Um sentimento de medo ao terror tomou conta das pessoas. E não é que as pessoas ficaram com medo de ir para os EUA, as pessoas ficaram com medo de sair do lugar.


E neste momento de angústia e dor, lembro que a imprensa brasileira explorou de tal forma os acontecimentos que se você não mantivesse a lucidez, ao assistir os telejornais, teria absoluta certeza que estaríamos prestes a começar a terceira guerra mundial e que era melhor parar de programar um futuro tamanho as incertezas e a insegurança.

Na ocasião, quando eu conversava com os meus alunos nos EUA , eles diziam:
_ Pê, aqui, os americanos estão tristes sim, rezam pelas vítimas, toda casa tem uma bandeira dos Estados Unidos, e todo mundo seguiu sua vida normalmente. Essa estagnação e temor todo que você nos relata é porque vocês assistem televisão demais. Aqui nós não temos tempo de assistir tanta televisão como vocês aí”.

Durante esta minha jornada, conheci pessoas muito especiais e uma delas, que foi uma mentora pra mim, era uma dessas pessoas que passaram pelo mundo e fazem algo para que o mundo se torne melhor e mais humano. Na ocasião ela me disse:
“ _Diga aos pais dos intercambiários que jamais adiem planos ou sonhos por conta de acontecimentos alheios a vontade deles. Jamais, em hipótese alguma, parem suas vidas ou deixe de fazer planos, viagens, ter filhos, objetivos, almejar coisas por conta de fatos e acontecimentos que não dependem de sua vontade. Jamais deixem de fazer nada por medo. Ninguém nasce corajoso, a gente se torna."






Por duas vezes recentes, a França nos mostrou como se deve agir: os franceses, mesmo assustados e diante de incredulidade e de muita angústia perante os atentados, não se rendem à ameaça terrorista, continuam suas vidas normalmente e acreditam que esta é a melhor forma de lidar com o terrorismo, que é a melhor forma de mostrar que a liberdade é muito maior do que a violência ou o extremismo religioso.

Obviamente que não dá para ignorar que existem grupos praticando atos de terror tampouco não tomar providências para evita-los. E temos que acompanhar os acontecimentos.

E o que podemos fazer? A nossa parte.
Acho também que a nossa parte seria a de tomarmos consciência de que não estamos prontos, podemos tentar nos melhorar como pessoas. Sempre temos algo a melhorar e isso vai desde nos tornarmos mais gentis e prestativos até praticarmos empatia. Brasileiro é solidário. Ser solidário não basta, poderíamos participar de trabalhos voluntários e parar com preconceitos bobos. Temos preconceitos até por profissões. Algumas universidades no exterior avaliam candidatos pelos trabalhos voluntários que fizeram.

Intercâmbio deveria ser obrigatório, tão quanto a disciplina de matemática na escola nos ensina a raciocinar, a lidar com problemas e achar soluções. Deveria ser uma espécie de pré-requisito para se formar para viver nesse mundo.
Por que digo isso? Desenvolver a tolerância, aprendendo a valorizar e respeitar culturas diferentes da nossa, amadurecer (e amadurecer pressupõe conhecer, sentir, perceber, experimentar, aprender com os erros) e aprender a lidar com as adversidades são apenas algumas das vantagens que se tem com um intercâmbio no exterior.

Voltamos diferentes de um intercâmbio. E deixamos uma herança nossa aonde passamos.

Como orientadora de pais e adolescentes para intercâmbios, acho que temos muito a fazer para tornar este mundo um lugar melhor para se viver e que vai além de nossas fronteiras.

                                                                                                                                                                    O estranhamento diante da diferença não precisa ser vivido na forma do racismo; é possível vivê-lo como ENCANTAMENTO! E que não nos esqueçamos: o preconceito - ou sua negação - são aprendidos na cultura (de Dênis Petuco)

Aliás, dever de casa para você: já parou para pensar quanto você gasta aqui no Brasil num determinado período... e se você passasse esse mesmo tempo fora do Brasil?


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