A vida é curta e o mundo é grande...




“Estava nos primeiros dias do meu intercâmbio. Minha família hospedeira tinha uma TV na cozinha. Toda manhã, quem acordava primeiro ligava a TV e quem saía por último desligava a TV.  E como eu estava fazendo o high School na Califórnia, tinha uma diferença de fuso de 3 boras a menos quando comparado com New York. Então, enquanto em NY as pessoas estavam começando o trabalho no escritório, nós estávamos acordando na California.   

Pois bem, eu acordei, me sentei na cozinha para tomar o café com a TV ligada. Vi aviões trombando num prédio em NY e achei que fosse propaganda ou trailer de um novo filme no cinema. Desliguei a TV e fui para a escola. Somente quando cheguei a escola é que pude entender o que tinha acontecido. E como acreditar que aquilo tinha de fato acontecido."

Esta foi a narrativa de um estudante ao que aconteceu em 11/09/2001.



Quando a gente chega no intercâmbio, por mais que você saiba inglês, o cérebro funciona assim:

- Alguém te fala algo em inglês;

- Você para e pensa o que aquilo significa em português;

- Se estiver num diálogo, você pensa uma resposta em português, passa sua resposta do português para o inglês ainda na sua cabeça, coloca a entonação e as palavras que você conhece e aí então fala em inglês.

Este processo todo aí costuma dar dor de cabeça na gente.

Isto significa dizer que você não entende o noticiário da TV, entende algumas palavras.



Quando aconteceu o 11 de setembro, a maioria dos intercambiários tinha acabado de embarcar para o início do ano letivo americano. Muitos intercambiários viram e não entenderam a reportagem na TV e acharam que era propaganda de um filme que ia estrear. Os intercambiários souberem da tragédia pelos pais brasileiros e pelos professores na escola americana.

Na ocasião do 11/09 muito se falou... chegou-se a falar que aquilo seria o estopim para a III Guerra Mundial.  Em seguida ao 11/09, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e existia um medo no ar de que algo de ruim iria acontecer no mundo todo. Em seguida a tudo isso, veio ainda o episódio das cartas que chegavam pelo correio dos EUA contaminadas com um pó, um vírus poderoso chamado antraz.  Este episódio contribui muito para o pessimismo após o 11 de setembro. 

As pessoas ficaram com medo de sair de casa, quanto mais viajar para fora do país. Os pais brasileiros pediam aos filhos nos EUA ou que estavam pelo mundo que voltassem para casa no Brasil aonde estariam seguros.  Mas os filhos se recusaram a voltar e diziam aos pais que, lá nos EUA, a vida continuava normalmente, que em cada casa tinha uma bandeira dos EUA por conta de tudo, pelo luto, pelo respeito, pelo amor ao país, mas que eles tocavam a vida normalmente. Os filhos também diziam que nada daquilo que a TV brasileira estava fazendo de exploração e sensacionalismo ... nada daquilo chegava até aonde estavam. 

Medo, medo de tudo, medo disso, daquilo, os medos....


Conversei com meus estudantes para sentir como estavam todos e uma amiga coordenadora do high School nos EUA que aqui chamarei de JK me disse, entre outras coisas, o seguinte:


“- não interrompa sonhos ou planos por conta de coisas que não dependem de você, por conta de medos de coisas que você não controla.”

"_ Precisamos tomar cuidado com a proporção que nossos pensamentos tomam... Pensamento não se pega, não é palpável, mas se você alimenta os pensamentos, fica de tal forma, toma tamanha proporção e importância que passamos a ficar na dúvida se realmente é só um pensamento seu, se tem fundamento... uma coisa é certa: pensamentos não são fatos. O que você acha, é só o que você acha, não é um fato."

"_ E nunca deixe de fazer nada por conta de medo, seja do que for. Enfrentemos o medo. Senão daqui a pouco teremos medo de ter filhos para não expor ao lado de fora, daqui a pouco não sairemos mais de casa para trabalhar, daqui a pouco deixaremos de viver. Não adie sonhos por causa de medos. Enfrente-os. Ninguém nasce corajoso, torna-se. E a única forma de tornar-se corajoso, é enfrentando nossos medos. "

"_todo dia, quando acordar, pense que se aquele fosse seu último dia de vida, o que você faria. E então faça. Viva intensamente e muito e um dia de cada vez, como se fosse o último. O problema é que um dia você acerta.”

Com certeza, minha amiga JK contribuiu para que este mundo fosse um lugar melhor. Ela já se foi. Quando descobriu que estava com doença degenerativa, comprou um trailer em formato de casa e viajou até aonde conseguiu. E aonde quer que ela esteja, ela continua me inspirando. Thank you.


Ainda sobre o 11 de setembro, algumas pessoas se salvaram por não estar onde deveriam estar no momento que aconteceu:

- Gente que esqueceu algo em casa e teve que voltar para buscar;

- A mãe que voltou para trocar a criança que se cagou toda bem na hora de sair;

- O que perdeu a hora porque o despertador falhou;

- Gente que pegou trânsito e se atrasou.

- O que perdeu o ônibus...

- E etc.

Todos eles se salvaram. Então, pare de reclamar quando algo não sair como você programou ou planejou. Pode ter sido a melhor coisa que te aconteceu.

Agradeça, se benza, não pare e siga adiante. Sempre em frente.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ensino médio feito no exterior é válido no Brasil

Curso de inglês em universidade nos EUA

Não, não vá embora...vou morrer de saudade...